quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Minhas constatações

Lembro-me de quando tinha 7 anos de idade, no ínicio de minha percepção de mundo e de sociedade. Em minha escola,na minha classe, havia um garoto muito pobre (eu sempre estudei em escolas públicas),ele sempre pedia-me emprestado meus materiais escolares, para desenvolver as tarefas de artes dentro da sala de aula.
Não entendia direito porque ninguém o emprestava os lápis e ele vivia sozinho.
Eu emprestava meus lapís de colorir porque via que ele não possuia seus próprios materiais, e achava óbvio que se ele tinha que desenvolver suas tarefas assim como todos os outros, eu poderia ajudá-lo.Não tinha porque eu dizer não.Apesar de todos os outros colegas de classe acharem que ele era um folgado e aproveitador, por querer usar o que era dos outros.

Em minha casa, eu sempre expunha aos meus pais o que acontecia na escola, e um dia eu falei a minha mãe sobre esse garoto da minha classe, e sobre ele nunca ter nada e sempre emprestar o material de mim.E de os outros nunca quererem emprestar para ele.
Ela me explicou o ponto de vista dos outros colegas como zelo ao seus materiais, e me aconselhou a não emprestar mais nada ao garoto, pois minhas coisas acabariam logo,por tanto uso, e eu ficaria sem (pois minha família era mal de grana, me dizia minha mãe)antes de terminar o ano letivo.
Então,eu perguntei a minha mãe: "Mãe,porque o pai dele não compra o material de que ele precisa?"
E minha mãe respondeu:"Porque ele não tem dinheiro para comprar,oras!"

Eu me retirei para o quintal da minha casa com o sentimento de chateação,e fiquei pensando naquela situação. Era tudo uma contradição na minha cabeça.

Porque a atitude do garoto era condenada, sendo que era óbvio o porque dele agir da maneira como ele agia?Porque eu tinha de deixar de ter uma boa atitude para com ele,sendo que ele não poderia ter nenhuma atitude em seu próprio favor?

Foi a partir daí que eu comecei a ver o quão sem nexo e injusta é a nossa sociedade. E o quanto nós, se não pararmos para pensar em nossos atos, nos deixamos influenciar.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Algumas discussões: Popularidade do governo Lula

Nos seus primeiros quatro anos de governo, Lula conquistou o apoio e a simpatia do povo brasileiro,mais especificamente da população pobre.Isso,em primeira análise, deve-se aos programas sociais que tornaram-se a marca forte de seu governo.
Porém,numa análise mais profunda, vê-se que toda essa popularidade deve-se ao "conservadorismo popular" de seu governo.
Até o governo Fernando Henrique Cardoso, o povo brasileiro votava sistematicamente nos candidatos de direita,e isso buscando a "ordem",a "estabilidade", principalmente financeira.
Como Getúlio Vargas, Lula foi capaz de falar diretamente ao povo, e ganhar a sua confiança, não apenas porque o favoreceu em termos concretos, mas também porque o fez com responsabilidade fiscal e não deixou que a hidra da inflação retornasse. Joãozinho Trinta assinalou há muitos anos que pobre gosta de luxo; gosta também de segurança e de ordem. Lula rompeu com o populismo fiscal irresponsável que caracterizara seu discurso e o do PT até a véspera da eleição de 2002. Foi um ato de coragem que o levou a perder votos dos amigos, mas a ganhar os dos pobres.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Pelo Brasil...

Segue o relato de Celso Luiz Borges de Oliveira Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima.
Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.


"As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um
pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.

Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até
pessoas com um mínimo de instrução.

Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, pra falar a
verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto falta uma identidade com a terra. Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro. Se não for funcionário público a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo.
Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do Território
roraimense é demarcado como reserva indígena, terras portanto restam apenas 30%, descontando- se os rios e as improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.

Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus,
cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva
indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00
da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam
incomodados.

Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos,
europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90%
dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.

Detalhe: Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma
autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A
maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a
maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas
reservas encontrarem- se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc., medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar 'royalties' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a
maioria dos produtos típicos da Amazônia....

Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: E os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:

'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam
tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'.

A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena.
O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos
indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande
base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivos de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois
essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada
para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada,
principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um
incidente diplomático). .. Dizem que tem muito colombiano traficante virando
venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana
por cerca de 200 dólares.

Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto
proteger os índios. A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras
indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água são
extremamente ricas em ouro encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.

Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a
alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa. É pessoal, saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho."

Um grande abraço a todos. Será que podemos fazer alguma coisa???

Acho que sim.

Repasse essa informação para o maior número de brasileiros possível.

Seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos meios de comunicação (como atravéz desse blog) antes que isso venha a acontecer.
Afinal foi um momento de fraqueza dos Estados Unidos que os europeus
lançaram o Euro, assim poderá se aproveitar esta situação de fraqueza
norte-americana (perdas na guerra do Iraque) para revelar isto ao mundo a
fim de antecipar a próxima guerra...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sugestão de site

http://www.akatu.org.br/

Para se saber tudo a respeito de consumo sustentável.

Visitem!

PIG

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.Se informe mais em http://www3.paulohenriqueamorim.com.br

Algumas discussões: O que a natureza diz...

À medida que os dias passaram, desde o fatídico 1º de janeiro, ficou mais e mais evidente que as dezenas de mortes e os prejuízos incalculáveis provocados pelas chuvas foram causados apenas parcialmente pelas condições climáticas adversas. Estas, não resta dúvida, têm sido especialmente severas desde o último trimestre de 2009, sob a influência do aquecimento das águas do Pacífico. Em anos passados, o El Niño, como é conhecido o fenômeno que atinge as águas costeiras do Chile e Peru, também causou estragos consideráveis, com enchentes e deslizamentos de terra em várias cidades do território nacional.
Há indícios, nesses casos, de que os interesses privados – os “urbanistas” de fato das cidades brasileiras, segundo especialistas – prevaleceram de modo a abrandar as exigências ambientais para a construção civil.
Mas no que tange a questão de preservação ambiental à nível Brasil e mundo,o que se vê é apenas descaso,corrupção, ou medidas pouco significativas tomadas pelos governos, um exemplo disso,são os resultados decepcionantes da conferência de Copenhague.E daí, o resultado,é a fúria da natureza, que já deu tantos sinais de que do jeito que está não dá mais.
As conseqüências são alarmantes, e a tendência é cada vez mais secas,chuvas,enchentes,frios e calores intensos e mortes. Não esquecendo dos prejuízos financeiros que tudo isso acarreta, principalmente à produção de carnes e produtos agrícolas.
O interessante é que quando se trata da questão financeira e industrial, o capitalismo é o mais afetado, justamente o sistema que não admite perder crescimento e lucratividade em favor da conservação ambiental.
Por fim, observando o cenário atual, fica-nos uma questão para reflexão: Um conjunto de normas, oriundas não somente do Estado, mas do ativismo de organizações e cidadãos conscientes e da coragem de juízes e reguladores, precisa surgir. O objetivo é animador: a sobrevivência do planeta Terra e das espécies,principalmente da raça humana.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Para ler:Vida e morte no sertão

Onde reside o interesse de um livro sobre a história das secas no nordeste do Brasil, nos dois últimos séculos? As secas constituem uma realidade presente, atuante nos dias de hoje, como no passado. E isto já bastaria para uma boa recepção ao livro de Marco Antonio Villa, não trouxesse o volume outras tantas qualidades, e também problemas. O que faz de Vida e morte no sertão uma obra não apenas necessária, mas original e instigante, pelo que oferece, pela ajuda que fornece na compreensão do tema e pelo que faz pensar. O impacto provocado pela leitura é comparável àquele de Estação Carandiru, do médico Drauzio Varela, uma vez que ambos expõem as chagas e a indiferença da sociedade e do Estado, no Brasil, diante das mazelas sociais. Este sabor de livro-denúncia, temperado com demonstrações da negligência, incúria, violência, corrupção, manipulação e clientelismo reinantes, decorre da observação, em perspectiva temporal extensa, quase duzentos anos, da ação "reparadora" do Estado brasileiro nos momentos de seca. Villa não aborda a estrutura econômica e social nordestina, sob a qual se abate a calamidade, a mesma que produz e reforça seus efeitos, mas rastreia a ação de órgãos dos governos estaduais e federal, registrando o comportamento e a conduta das elites sociais e dos dirigentes políticos naquela região.

Algumas discussões: Bolsa família

Bolsa Família - é um programa de bem-estar social desenvolvido pelo governo federal brasileiro em 2003 para integrar o Fome Zero. Consiste-se na ajuda financeira às famílias pobres e indigentes do país, com a condição de que estas mantenham seus filhos na escola e vacinados. O programa visa reduzir a pobreza a curto e a longo prazo através de transferências condicionadas de capital, o que, por sua vez, visa acabar com a transmissão da miséria de geração a geração.

Esse tipo de projeto é importante,num país com dificuldades como o Brasil,e estando dentro do sistema capitalista,onde as relações definem-se pela dominação e opressão.Onde existe a classe dominante relativamente unificada, e onde a possibilidade de distribuição de renda é mínima, por causa das estruturas de proteção de classes.Vivemos num sistema que nos faz crer que há possibilidade de ascensão social,mas analisando,na prática, isso é impossível,pois não há oportunidades de estudo em boas escolas,ou até mesmo ingressar numa universidade (só com muito estudo para passar num vestibular ou tentar o PROUNI) e consequentemente conquistar um bom emprego. A menos que você já venha de uma classe social favorecida.
E até a chegada do governo Lula,quem vivia abaixo da linha da miséria,iria morrer nela.Não há como discutir assistencialismo,cotas e afins no Brasil, "enquanto houver seres humanos que não discutem por não ter algo,e vivem na ignorância,porque os mesmos nunca souberam o que é ter algo".
Portanto,para mim, o bolsa família não é a solução para a pobreza no Brasil,mas no momento,é o que de melhor já foi feito nessa área,na história desse país,em favor dos desfavorecidos.