domingo, 10 de janeiro de 2010

Para ler:Vida e morte no sertão

Onde reside o interesse de um livro sobre a história das secas no nordeste do Brasil, nos dois últimos séculos? As secas constituem uma realidade presente, atuante nos dias de hoje, como no passado. E isto já bastaria para uma boa recepção ao livro de Marco Antonio Villa, não trouxesse o volume outras tantas qualidades, e também problemas. O que faz de Vida e morte no sertão uma obra não apenas necessária, mas original e instigante, pelo que oferece, pela ajuda que fornece na compreensão do tema e pelo que faz pensar. O impacto provocado pela leitura é comparável àquele de Estação Carandiru, do médico Drauzio Varela, uma vez que ambos expõem as chagas e a indiferença da sociedade e do Estado, no Brasil, diante das mazelas sociais. Este sabor de livro-denúncia, temperado com demonstrações da negligência, incúria, violência, corrupção, manipulação e clientelismo reinantes, decorre da observação, em perspectiva temporal extensa, quase duzentos anos, da ação "reparadora" do Estado brasileiro nos momentos de seca. Villa não aborda a estrutura econômica e social nordestina, sob a qual se abate a calamidade, a mesma que produz e reforça seus efeitos, mas rastreia a ação de órgãos dos governos estaduais e federal, registrando o comportamento e a conduta das elites sociais e dos dirigentes políticos naquela região.

Algumas discussões: Bolsa família

Bolsa Família - é um programa de bem-estar social desenvolvido pelo governo federal brasileiro em 2003 para integrar o Fome Zero. Consiste-se na ajuda financeira às famílias pobres e indigentes do país, com a condição de que estas mantenham seus filhos na escola e vacinados. O programa visa reduzir a pobreza a curto e a longo prazo através de transferências condicionadas de capital, o que, por sua vez, visa acabar com a transmissão da miséria de geração a geração.

Esse tipo de projeto é importante,num país com dificuldades como o Brasil,e estando dentro do sistema capitalista,onde as relações definem-se pela dominação e opressão.Onde existe a classe dominante relativamente unificada, e onde a possibilidade de distribuição de renda é mínima, por causa das estruturas de proteção de classes.Vivemos num sistema que nos faz crer que há possibilidade de ascensão social,mas analisando,na prática, isso é impossível,pois não há oportunidades de estudo em boas escolas,ou até mesmo ingressar numa universidade (só com muito estudo para passar num vestibular ou tentar o PROUNI) e consequentemente conquistar um bom emprego. A menos que você já venha de uma classe social favorecida.
E até a chegada do governo Lula,quem vivia abaixo da linha da miséria,iria morrer nela.Não há como discutir assistencialismo,cotas e afins no Brasil, "enquanto houver seres humanos que não discutem por não ter algo,e vivem na ignorância,porque os mesmos nunca souberam o que é ter algo".
Portanto,para mim, o bolsa família não é a solução para a pobreza no Brasil,mas no momento,é o que de melhor já foi feito nessa área,na história desse país,em favor dos desfavorecidos.