sábado, 15 de janeiro de 2011

Pablo Neruda - "Não há perdão"

Hoje li uma belíssima poesia de Pablo Neruda (maior poeta Chileno,de vertente marxista) e não posso deixar de colocar aqui,texto de 1950 (do livro "Canto geral")que permanece com uma mensagem tão atual:

"Eu quero terra,fogo,pão,açúcar,farinha,
mar,livros,pátria para todos,por isso
ando errante: os juízes do traidor me perseguem
e seus aduladores tratam,como os micos
amestrados,de encharcar minha lembrança.
Fui eu com ele,com esse que preside,à boca
da mina,ao deserto da aurora esquecida,
eu fui com ele e disse a meus pobres irmãos:
Não guardareis os fios da roupa esfarrapada,
não tereis este dia sem pão,sereis tratados
como se fôsseis filhos da pátria.Agora
vamos repartir a beleza,e os olhos
das mulheres não chorarão por seus filhos.
E quando em vez de amor repartido,na noite
à fome e ao martírio lançaram a esse mesmo,
a esse que o escutou,a esse que sua força
e sua ternura de árvore poderosa entregara,
então eu não estive com o pequeno sátrapa,
mas com aquele homem sem nome,com meu
povo.
Eu quero a minha pátria para os meus,quero
a luz igual sobre a cabeleira
de minha pátria acesa,
quero o amor do dia e do arado,
quero apagar a linha que com ódio
fazem para apartar o pão do povo,
e ao que desviou a linha da pátria
até entregá-la como carcereiro,
atada, aos que pagam para feri-la,
eu não vou cantá-la nem calá-lo,
vou deixar seu número e seu nome
cravado na parede da desonra".

Sensibilidade e empatia já,meu povo!

Como é dificil colocar-me no lugar do outro,de entender suas titudes e compartilhar de seus sentimentos;não pela minha ótica,mas como se eu estivesse no lugar da outra pessoa.
Na verdade,o dificil é estar disposto a questionamentos e reflexões,pois quando exerço a empatia (que é o ato de colocar-me no lugar do outro) eu entendo o outro como ser humano,e me sensibilizo diante do seu "eu".E é justamente aí em que as barreiras apresentam-se;quando sensibilizo-me com o outro,tenho de transpor meus preconceitos,minhas idéias feitas e as minhas "verdades" absolutas,pois somente assim não caio em julgamentos - o pior defeito do ser humano.
Mas afinal,porque tneho de me sensibilizar com o outro,me preocupar com o seu sofirmento,com suas dúvidas,se tneho a minha vida para cuidar?Se tenho meus problemas para solucionar?
Porque somente asism poderemos construir um mundo melhor,tão almejado por todos´,porém na tentativa de edificação por tão poucos.Vivemos num mundo egoísta,materialista,segregado e corruptível.As desiguladades existem, e está enraizado em nós culturalmente,que melhorias só podem ser conquistadas individualmente e por méritos materiais ou que preocpuações sociais somente devem advir dos governos;esquecemos que a força coletiva é que conquista as mudanças necessárias, isso é processo histórico, e é como diz uma belíssima canção de John Lennon que traduzo aqui: "Sonho que se sonha só,é só um sonho que se sonha só,mas sonho que se sonha junto,é realidade..."
É fácil julgar ações de drogados,traficantes,prostitutas,julgar as condições dos sem instrução,dos favelados;mas e procurar saber o que vem por detrás dessas realidades, o que faz dessas pessoas serem o que são?Será que para combater os males da nossa sociedade não precisamos entrar nesses questionamentos?
Sensibilidade e empatia já,meu povo!