quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Minhas constatações

Lembro-me de quando tinha 7 anos de idade, no ínicio de minha percepção de mundo e de sociedade. Em minha escola,na minha classe, havia um garoto muito pobre (eu sempre estudei em escolas públicas),ele sempre pedia-me emprestado meus materiais escolares, para desenvolver as tarefas de artes dentro da sala de aula.
Não entendia direito porque ninguém o emprestava os lápis e ele vivia sozinho.
Eu emprestava meus lapís de colorir porque via que ele não possuia seus próprios materiais, e achava óbvio que se ele tinha que desenvolver suas tarefas assim como todos os outros, eu poderia ajudá-lo.Não tinha porque eu dizer não.Apesar de todos os outros colegas de classe acharem que ele era um folgado e aproveitador, por querer usar o que era dos outros.

Em minha casa, eu sempre expunha aos meus pais o que acontecia na escola, e um dia eu falei a minha mãe sobre esse garoto da minha classe, e sobre ele nunca ter nada e sempre emprestar o material de mim.E de os outros nunca quererem emprestar para ele.
Ela me explicou o ponto de vista dos outros colegas como zelo ao seus materiais, e me aconselhou a não emprestar mais nada ao garoto, pois minhas coisas acabariam logo,por tanto uso, e eu ficaria sem (pois minha família era mal de grana, me dizia minha mãe)antes de terminar o ano letivo.
Então,eu perguntei a minha mãe: "Mãe,porque o pai dele não compra o material de que ele precisa?"
E minha mãe respondeu:"Porque ele não tem dinheiro para comprar,oras!"

Eu me retirei para o quintal da minha casa com o sentimento de chateação,e fiquei pensando naquela situação. Era tudo uma contradição na minha cabeça.

Porque a atitude do garoto era condenada, sendo que era óbvio o porque dele agir da maneira como ele agia?Porque eu tinha de deixar de ter uma boa atitude para com ele,sendo que ele não poderia ter nenhuma atitude em seu próprio favor?

Foi a partir daí que eu comecei a ver o quão sem nexo e injusta é a nossa sociedade. E o quanto nós, se não pararmos para pensar em nossos atos, nos deixamos influenciar.